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Diário de Tomas J. Smith jr,
dia 11/10/1993, Salem; Massachusetts, E.U.A
Já se faz mais de um mês que
eu escrevo aqui periodicamente, e eu ainda detesto isso, durante todo esse
tempo o que eu fiz?
Apenas escrevi sobre meu dia,
meu trabalho, as coisas que eu não gosto, eu sinto que tudo que faço ao
escrever isso e relembra como minha vida e miserável e ruim, afinal sempre que
venho aqui tudo que escrevo são palavras mórbidas e cruéis, eu reler isso parece
que tudo que eu sou e um ser humano cruel e cheio de raiva que vive uma vida letárgica
e acomodada, já faz dez dias que eu decidi não ir mais ao falastrão de berço de
ouro que se chama de doutor.
Porém mesmo sem saber por que,
eu não consigo parar de escrever neste maldito caderno, é estranho imaginar o porquê
disso, mas ainda sim me sinto impulsionado a escrever, e ainda sim me sinto uma
garotinha que só sabe reclamar da vida enquanto escrevo.
Eu não entendo, não consigo me
lembrar quando foi que me tornei alguém tão amargo e cruel, que fala sem pensar,
e parece se divertir com isso, e nos últimos dias me pergunto onde foi que
minha vida mudou tanto?
E talvez a resposta seja no momento que meu
filho foi para o oriente médio a serviço do país, lembro bem deste dia, foi um
misto de orgulho e medo, me orgulhava da escolha dele embora eu não concorde
com ela, porem era meu filho um homem digno e bom, mas o medo de perde ele pra
essa matança louca era maior, durante alguns meses sempre nós falávamos, porem
depois de um tempo ele simplesmente passou a ligar pouco, minha mulher todo dia
preocupada sem saber se ele estava vivo ou morto, eu também sentia isso, mas
era duro demais pra admitir, dia após dia menos sabia dele, e pode ter sido ai
que as coisas mudaram para mim, meus problemas pareciam maiores, a raiva já andava
do meu lado como um velha amiga, meu casamento passou a ficar em certos
momentos insuportável, e nada absolutamente nada parece ser bom o bastante para
mim.
Lembro que eu chegava das
docas e ainda carregava um sorriso no rosto, e como ser finalmente eu estivesse
completo ao chegar em casa, ver o sorriso da minha esposa e poder ver meu filho,
um jovem inteligente e prodígio que eu tinha certeza que seria um universitário
de uma grande faculdade e teria um futuro grandioso, aquilo era minha vida,
aqui era meu lar, meu deus eu era tão feliz e simples, eu sorria, eu era
alegre, meu deus oque eu sou agora, como me tornei isso e por que não consigo
ser assim de novo?!
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